segunda-feira, 14 de julho de 2008

Filme dos bons

Sexta-feira é dia de voar as tranças. A empregada dorme aqui em casa e a gente sai pra rua. Na semana passada, sem nenhum amigo ter dado a dica, resolvemos ver O Escafandro e a Borboleta.





Apesar de ser francês, o filme tem um efeito superespecial: sem sentimentalismos baratos, quase todas os ângulos mostram o ponto de vista do jornalista Jean-Dominique Balby, editor da Elle, que teve um acidente vascular cerebral em 1995, só manteve o movimento de um olho e escreveu um livro mesmo assim, piscando. A gente ri junto quando o auxiliar de enfermagem coloca um boné peludo no paciente, que pensa: “pronto, agora pareço um coelho”. Em Porto Alegre, só dá pra ver o filme no Bourbon Country. Em São Paulo, há seis salas disponíveis.

Agora quero ler o livro.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

Vidros bonitos e baratos

Não vou classificar este post como coisa de mulher. Homens também recebem amigos em casa e mimam o próprio ninho. Para ajudar em ambas as tarefas, descobri um lugar que une duas características imbatíveis: é bom e barato. Mais conhecido pelos boxes e tampos de mesa que produz, o Pronto-Socorro do Vidro tem um cantinho dedicado a garrafas, porta-balas, vasos, cinzeiros, potes e outros objetos de vidro com preços irrisórios. Sabe aquela taça gigante, ótima para colocar sobremesas ou encher de jujubas? Custa 7 reais. Conhece as garrafas de boca larga e fundo grosso, que servem suco de laranja no maior estilo? Você paga com uma nota de 5 e ainda leva troco. Segundo a Eva, que me indicou o local, tem decorador espertalhão que compra lá e diz pro cliente que a peça custou cinco vezes mais.





PRONTO SOCORRO DO VIDRO: Rua Barão de Jaceguai, 707, Campo Belo, São Paulo, fone (11) 2714.8787

Bolsas da Angelina: lindas e fiéis

Não me lembro onde, mas li recentemente a explicação para as mulheres gostarem tanto de bolsas e sapatos. Faz sentido: ao contrário das roupas, que jogam na nossa cara qualquer quilo sobressalente, os acessórios não nos traem jamais. Se você concorda e está em São Paulo, minha dica é a Angelina Vai às Compras. Assim mesmo, como esse nome queridinho.

Para quem gosta de modelos com monogramas, lamento, a Angelina não é o lugar. Mas se o xodó forem bolsas e carteiras exclusivas, feitas por designers modernos, vá lá. A loja fica numa casinha de rua da Vila Olímpia e vende, por exemplo, as criações da Muggia, marca das gêmeas cariocas Ana e Juliana Suassuna – esta última, também responsável pelos modelos da Osklen. Experiência própria: quando você sai com uma bolsa da Angelina, volta e meia outra mulher pergunta onde você comprou.

ANGELINA VAI ÀS COMPRAS: Rua Prof. Vahia de Abreu, 653, Vila Olímpia, fone (11) 3845.6828

domingo, 6 de julho de 2008

Os Endereços Curiosos de Porto Alegre I

A vida dos outros: compre cartas escritas para outras pessoas

Preciso confessar uma coisa: a idéia de fazer um blog só me ocorreu depois de escrever Os Endereços Curiosos de Porto Alegre.Voltou a minha pulga repórter, um bichinho que andava sumido há tempos. Pois comecei a me coçar de novo e o resultado, bom, você está lendo.

Tudo isso é pra dizer que decidi transformar alguns verbetes do guia em post, antes mesmo do lançamento. Quando for o caso, deixo claro no título, exatamente como fiz agora. Aí vai o primeiro endereço, que nesses tempos de e-mails, blogs e MSNs, mais parece um reality show dos Flinstones. Se você não gostar, mande um comentário. E se gostar, vá na sessão de autógrafos – tô tão feliz por publicar um livro que vou informar a data por aqui.

Correspondência alheia

Zora era moça rica. Até a década de 50, morava em colégio interno. Depois engravidou e foi se esconder em São Paulo. Das amigas de Porto Alegre, vinham notícias dizendo que o namorado não prestava e já estava com outra. Com a mãe magoada, só teve contato meses depois. Fim do drama? “A criança nasceu com problemas, mas esta carta foi vendida”, encerra Judite La Cruz, proprietária da Antigo Garimpo, onde as histórias verídicas de muitas Zoras podem ser compradas. Num baú antigo, grampeadas aos próprios envelopes, ficam expostas dezenas de correspondências alheias. Para facilitar a escolha, todas recebem uma etiqueta classificatória, do tipo “carta para um amigo”. As que têm seqüência ficam juntas, mas não é imperativo levar todas elas. “Tu não imaginas quantas pessoas compram”, entusiasma-se o sobrinho da dona, Vandré La Cruz, freqüentemente seduzido pelos enredos. Como os autores não vão reclamar (o material costuma ser sobra de espólios), o único risco é você sentir a mesma culpa que sentiu esta repórter, chegando ao post scriptum: “depois de ler, rasgue esta carta”.

ANTIGO GARIMPO: Av. João Pessoa, 1040, Cidade Baixa, Porto Alegre - fone: (51) 3012.0718 - terça a domingo, 10h/17h30

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Imobiliária descolada

Sempre adorei casas. Acho um programão caminhar por bairros residenciais e ficar procurando as mais bonitas, as mais aconchegantes, aquelas pra onde eu me mudaria feliz da vida. Daí meu encantamento com a Axpe, a única imobiliária que conheço especializada em venda e aluguel de moradias descoladas. Fica em São Paulo, onde tem público (e dinheiro) pra tudo.

Apesar de nunca ter usado o serviço, já me diverti bastante no site. O critério de classificação não é o bairro da cidade, mas o clima do imóvel que se procura: vintage, descolado, com projeto assinado, jardim especial ou algo a mais. Tem desde apartamentos imensos até (coisa boa!) casinhas em vilas. Do estilo toscano a Ruy Ohtake. Até uma jaboticabeira plantada no pátio entra na descrição. Se só for bom para reforma, eles indicam.

Nada abertamente contra os corretores de imóveis, mas aposto que o segredo do negócio são as pessoas que trabalham lá – segundo as próprias, gente que lê os mesmos livros, vai aos mesmos restaurantes e vê os mesmos filmes que você. Pra quem gosta disso tudo, vale uma espiada no hotsite do prédio que a empresa lançou agora, o Simpatia 236. Todo o material de divulgação tem as tintas do grafiteiro francês Remed, que passou recentemente pelo Brasil.

Imagem: Agência ?EC

terça-feira, 1 de julho de 2008

O primeiro furo jornalístico do Salada Pronta

Volta e meia, eu e o Pedro almoçamos no São Cristóvão, que fica na Vila Madalena. O picadinho com feijão mexido, couve e banana à milanesa é competentíssimo e meu filho se perde nas fotos, flâmulas e outros objetos de futebol que literalmente cobrem as paredes – o único espaço ainda disponível é o teto, onde já tem alguns quadros. Pois quem também curte o boteco e mora em Porto Alegre vai gostar da notícia que o Salada Pronta, modestamente, dá em primeira mão: o São Cristóvão vai abrir um filhote por aí. Só falta os sócios (um paulista, outro gaúcho) encontrarem o ponto certo.

Filha de uma terra oito ou oitenta, perguntei para o Leonardo Prado, dono do estabelecimento, como ela vai lidar com a rivalidade entre Inter e Grêmio na hora de expor as fotografias. Simples, meu caro Watson: “vai ser milimetricamente equilibrado”. Como já acontece na casa-mãe, o novo bar deve carregar a decoração com times locais pequenos, que têm a simpatia de todos.

- Quero fazer o símbolo do Zequinha em ferro fundido.

Tomara que o filhote gaúcho, que deve ser batizado com outro nome, também tenha uma goleira dentro do mictório. Para escrever este post, entrei no banheiro masculino e não acreditei no adereço. Olhe aí e imagine a cena do bêbado tentando fazer um gol.