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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Futebol de botão personalizado


Sabe aqueles lugares que a gente nunca conheceria, a não ser que alguém apresentasse? É o caso da Carwa Botões, que não tem telefone ou e-mail.

Em pleno centrão de Porto Alegre, a pequena loja (ou seria um estande?) fabrica e vende botões para futebol de mesa. O dono, Guanair Carvalho, faz até caixas para carregar os botões, carinhosamente chamadas de ônibus.

Eu, particularmente, não jogo nada. Mas adorei conhecer o botão Angélica, com uma pinta bem escura, parecida com a da apresentadora de televisão.

Pra saber mais, é só dar play:

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Baralho do Caminhoneiro traz 52 frases de pára-choque

Iemanjá me deu o melhor presente de todos. No dia 02 de fevereiro, há 13 anos, nasceu meu primeiro filho. O único problema é que, num feriado de fevereiro, os amigos nunca estão aí pra comemorar. Por isso, só hoje, com esse calor senegalês, vamos fazer a festa do meu moço.

A correria é tanta que nem vou me alongar. Clique aí para conhecer o Baralho do Caminhoneiro. Até que enfim alguém (mais especificamente a Mokpi, que faz jogos artesanais) fez bom uso daquelas hilárias frases de pára-choques.

BARALHO DO CAMINHONEIRO
(51) 3268.5740



segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Terapia para medo de voar

O tempo passa, o tempo voa, mas você continua tremendo na hora de sair do chão? O pavor de pegar um avião é mais comum do que a gente imagina. E é uma das especialidades da neuropsicóloga Carmen Reichelt, que oferece, há mais de dez anos, a terapia para medo de voar.

Seguindo a linha de algumas companhias áreas, que levam futuros passageiros para conhecer suas aeronaves e vários procedimentos necessários ao vôo, Carmen trabalha na base da desensibilização. No consultório, identifica a razão do medo. Como tema de casa, faz o cliente ir até o aeroporto, observar a decolagem e até conversar com pilotos.

Se você vai viajar nas férias, não dá tempo de fazer o tratamento. Mas pode ouvir dicas da Carmen na minha coluna da Bandnews FM.

CARMEN REICHELT
Rua dos Andradas, 1234/cj.1601, Centro
(51)3228.6382
neurocarmen@gmail.com
www.medodevoar.blogspot.com

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Chá de descasado

Quando a gente se separa, morre o sonho protagonizado por marido, mulher e filhos. E como em toda a morte, é necessário viver o luto, desde que não seja para sempre. Depois de um tempo, o descasado precisa voltar a se divertir, o que fica bem mais fácil quando se tem amigos.

Pois é justamente pra essa fase pós-luto que existe o chá de descasado. Organizado pelo Partner Clube, que reúne cerca de mil homens e mulheres separados em Porto Alegre, o evento é bem parecido com o chá de panela.



Pra começar, a confraria fornece convites impressos como esse aí de cima, que o descasando distribui entre os amigos. Na data marcada, horas antes de começar a festa, todos são recebidos em local reservado, onde começa a velha brincadeira de adivinhar o que está dentro de cada pacote. E ainda tem jantar de graça.

O último chá de descasado de 2009 aconteceu hoje, no Bucanero . A cada dois ou três meses, rola novamente. Para receber a programação, faça seu cadastro no site do Partner Clube. E se prepare pra dizer em alto e bom som, pra quem quiser ouvir: enfim, separados!

PARTNER CLUBE
(51) 9904.2700
vycente@partnerclube.com.br
http://www.partnerclube.com.br/

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Festa ambulante: a primeira locadora de limousines de Porto Alegre

Bloco e caneta são acessórios que meu carro traz de fábrica. É fundamental ter onde anotar o endereço e, com sorte, o telefone de curiosidades que eu vejo na rua. Foi o que aconteceu dia desses, quando passei pela frente da Blacktie Limousines, primeira locadora especializada em limousines no Rio Grande do Sul, inaugurada em setembro.

O chofer vai a caráter - nesta foto, sem
a luva branca que costuma usar

A limousine que a Blacktie aluga não é daquelas tradicionais, com traseira comprida. Trata-se de uma camionete Grandblazer que é esticada no Paraná, até ficar com nove metros. E como já fiz matéria sobre os dois modelos, posso dizer: o luxo é maior. Além dos imensos bancos de couro, a festa ambulante tem bar, neon, laser, um botão pra falar com o chofer e três telas de LCD onde toca o clipe que o cliente quiser.



Luz e som bombando com toda a privacidade: pra falar com o
motorista, tem que apertar um botão

Pra escrever a coluna da BandnewsFM e postar no blog, andei de limousine por mais de meia hora. Primeiro, com o dono da empresa, Eduardo Santos, que abriu a primeira loja da marca fora de São Paulo. Logo depois, o carrão levou o clone do Michael Jackson a uma festa. Tá vendo a bolsa vermelha que aparece aí no chão, ao lado do inacreditável Jacko brasileiro? É a prova de que eu estava lá.
Pedestres impressionados, sem saber
que o clone do Michael Jackson estava lá

Pra saber quanto custa e como rola o serviço, ouça a coluna Porto Alegre, Quem Diria! de hoje.

BLACKTIE LIMOUSINES PORTO ALEGRE
Av. Azenha, 1501, Azenha
(51) 3233.2021
contato.rs@blacktielimousines.com.br
www.blacktielimousines.blogspot.com

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Hoje é dia de levar o bebê ao cinema

Um pouco antes de Porto Alegre ter sua primeira sessão de cinema para mães e bebês, eu contei aqui a novidade. Pois ontem, em Porto Alegre, Quem Diria!, avisei: hoje, às duas da tarde, o CineMaterna exibe Julie & Julie (aquele novíssimo filme com a Maryl Streep) no Bourbon Country.

Ouça a coluna sobre o CineMaterna na BandnewsFM, abasteça o carrinho do seu filho e corre lá, que vale a pena.


CINEMATERNA
hoje, quinta-feira, às 14h:
Julie & Julia, com Maryl Streep e Amy Adams
Unibanco Arteplex Bourbon (R. Tulio de Rose, 80, 2º piso - Shopping Bourbon Country)
cinematerna@cinematerna.com.br

www.cinematerna.org.br

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Detector de mentira e detector de amor

Quantas vezes na vida você desconfiou que alguém estava mentindo? E outra: no início da paixão, quem não daria tudo pra saber se é correspondido? Pois na semana passada, preparando a estréia de Porto Alegre, Quem Diria!, eu descobri que qualquer mortal pode comprar, ali no bairro Rio Branco, um detector de mentiras. De brinde, ganha o detector de amor.

Desenvolvidos em Israel, os programas são instalados no computador e analisam a freqüência da voz. A entrevista (ou conversa) pode ser feita ao vivo, por telefone ou gravada.


Resumindo, o mentiroso se sente desconfortável e estressado. Já o apaixonado, quando fala com seu novo amor, fica inseguro, além de não pensar em mais nada. E tudo isso aparece na tela.


Com seiscentos reais, você leva a versão simplificada do detector de mentiras que é usado pela polícia no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e no Distrito Federal. Pelo mesmo preço, contrata Mauro Nadvorny, da Truster Brasil, que já viajou por todo o país para investigar fraudes e testar celebridades em programas de tevê – veja neste link os resultados sobre os casos Eloá, Isabella e da entrevista com o jogador de futebol Cafu. Ele não opera o detector de amor, mas se a flor que aparece no monitor estiver com todas as pétalas, o namoro está garantido.

Para ouvir o podcast na BandnewsFM com entrevista e tudo, clique aqui.

TRUSTER BRASIL
(51) 3022.1688
Rua Cabral, 116, Rio Branco
mauro@truster.com.br
www.truster.com.br

sábado, 19 de setembro de 2009

Porto Alegre ganha sessão de cinema para mães e bebês

Na semana passada, eu e mais sete amigas (seis são mães) conseguimos nos reunir à noite, só para jogar conversa fora – e não é que nada do que falamos foi pro lixo? Sabe ser bom um papo entre mulheres. E nunca senti tanta falta disso quanto nas minhas épocas de recém-parida. Quem dera eu tivesse, há 12 e 4 anos, a chance que as mães de bebês pequenos têm hoje.

Na quinta-feira que vem, 24 de setembro, chega a Porto Alegre o Cinematerna. Como já acontece em São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas e Salvador, a capital gaúcha terá uma sessão de cinema para mães acompanhadas de bebês de 0 a 18 meses.



Para receber adequadamente os pimpolhos, o horário é amigável, a luz é levemente mais forte, o ar-condicionado é mais fraco, há trocador no local e, de vez em quando, um tapete para soltar os bebês maiores. Mas o filme (ôba!) é para os adultos.


fotos: site e Guga Ferri

Se você tem um bebê pequeno na família ou lembrou de alguém que precisa ver a vida além-mamadeiras, é só entrar no site e fazer o cadastro. Depois, basta comparecer ao local e comprar os ingressos – R$ 9,00 para os adultos; R$ 4,50 para os bebês. Escolhido por quem se inscreveu com antecedência, o filme de estréia em Porto Alegre será Os Normais 2. Novas sessões acontecerão a cada 15 dias.

Desde que começou, em fevereiro de 2008, o Cinematerna já levou 6 mil adultos e 4 mil bebês ao cinema. A organização é tanta que as fundadoras transformaram a iniciativa numa associação sem fins lucrativos, mantém um blog, criaram regras de etiqueta específicas para a situação e ainda promovem um bate-papo informal depois do filme, só para a mulherada trocar experiências.

Se eu não fosse viajar bem na data, pegava meu sobrinho emprestado e ia lá, só pra confirmar: a maioria das mulheres, depois de ser mãe, vira Mulher-maravilha.

CINEMATERNA EM PORTO ALEGRE
a partir de 24 de setembro de 2009, às 14 horas
Unibanco Arteplex Bourbon (Rua Túlio de Rose, 80, 2º Piso - Shopping Bourbon Country)
cinematerna@cinematerna.com.br
www.cinematerna.org.br

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Literatura no engarrafamento

Só sente uma cidade quem mora nela. Nos últimos seis anos, apesar de visitar sempre Porto Alegre, não percebi no acelerador o que tanto comentavam: “o trânsito aqui está brabo”.

Pensando nos engarrafamentos que, pelo jeito, estarão pra sempre no meu caminho, lembrei do 18:30. É o segundo livro do Samir Mesquita, que fez o maior sucesso com Dois Palitos – lembra dos micro-contos embalados em caixas de fósforos? O lançamento foi no final de abril, numa esquina lotada de São Paulo, mas soube que tem pra vender na Bamboletras, na Sapere Aude! e na Letras & Cia.



À moda Samiriana, não há nada parecido nas livrarias. No lugar de páginas, a edição traz o mapa de um cruzamento atravancado. De cada carro, sai uma história diferente:

“Se Deus assistia a tudo lá de cima, agora ele tinha dado um PAUSE.”

“PHD. VIP. CEO. Tudo que queria ali era ser o motoboy.”

“ Processava o chefe por assédio. Mas era nele que pensava com a mão no câmbio.”


Clica lá pra espiar a obra e conseguir um exemplar sem colocar a mão na carteira. Investindo na própria formação literária, Samir fez uma lista de livros que gostaria de ter em sua biblioteca. Escolha um dos títulos, mande para o autor e receba, em troca, o 18:30 na sua casa.


18:30
samir@samirmesquita.com.br
www.samirmesquita.com.br

SAPERE AUDE! LIVROS
R. Lopo Gonçalves, 33, lojas 1 e 2, Cidade Baixa
(51) 3221.0203
www.sapereaudelivros.com.br


LETRAS & CIA
Av. Osvaldo Aranha, 444, Bom Fim
(51) 3028.9954
www.letrasecia.com.br

BAMBOLETRAS
R. Gen. Lima e Silva, 776, lj. 03, Cidade Baixa
(51) 3227.9930
livraria@bamboletras.com.br

terça-feira, 24 de março de 2009

Sábado curioso: jantar com famílias gregas

Uma coisa é ir a um restaurante grego. Outra é se misturar com famílias gregas de verdade, comendo o que elas comem em casa, dançando músicas cantadas no seu idioma e, lógico, quebrando pratos no chão.

Tudo isso pode ser feito nos jantares que a Sociedade Helênica de Porto Alegre organiza apenas três vezes por ano, nos fundos da Igreja Ortodoxa Grega Santos Apóstolos. Uma delas é no próximo sábado, às 20h30, quando a entidade comemora o Dia da Independência na Grécia (25 de março).

Enquanto fazia pesquisas para o livro, eu mesma estive lá. Como nem pensava no blog, não levei minha máquina, mas descobri que a jornalista Jac Oliveira, leitora do Salada Pronta, tinha tirado uma foto do evento. Depois de cantar os hinos da Grécia, do Brasil e de aproveitar o buffet, o povo se joga na pista – é a chance de aprender alguns passos com os bailarinos da comunidade.



Escrito em dois idiomas, o cardápio varia. Na época, tinha Mussaká (berinjela gratinada com molho bechamel, batatas, carne e queijo), Dolmadákia (charutinho de repolho) e Baklavás (massa folhada recheada com nozes, canela e mel). Para beber, Oúzo, tradicional aguardente a base de anis.

Para adquirir o convite, não é preciso se chamar Dimitrios, Athanasios, Constantinos ou outro nome terminado em “s”. Por telefone, qualquer mortal reserva o convite que custa 30 reais, fora bebidas. Tanto os pratos a serem estraçalhados quanto as bandeirinhas azuis e brancas que enfeitam as mesas podem ser comprados na hora.

Coincidência ou não, a festança rola no bairro Partenon.


SOCIEDADE HELÊNICA DE PORTO ALEGRE
Rua Monteiro Lobato, 312, Partenon
(51) 9119-3114 (com Ellen Vranas)
vranascultural@gmail.com
www.helenica.org.br

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Extra! Extra! Porto Alegre participará do Dia Mundial da Travesseirada

Já tinha aprontado meu post de hoje, quando fiz a descoberta. Antes que saia nos jornais, no rádio ou na TV, o Salada Pronta informa: pela primeira vez, Porto Alegre participará do International Pillow Fight Day.




Dia 4 de abril próximo, às 17 horas, tem guerra de travesseiros na Redenção, junto ao Monumento do Expedicionário. Ao mesmo tempo, o evento rolará em vários pontos do planeta - Nova York, Paris, Londres e Budapeste, por exemplo. No Brasil, as travesseiradas também estão confirmadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Santos, Belo Horizonte, Campo Grande, Betim, Curitiba, Uberlândia, Vitória e Fortaleza.

Matéria do News York Times sobre o Dia da Travesseirada

Classificada como mob, a brincadeira é quase idêntica ao que chamam de flashmob – aglomeração instantânea e pré-combinada de pessoas em local público, com o objetivo de fazer algo inusitado e sair fora rapidinho. A única diferença é que tem divulgação, o que significa que qualquer um pode participar.

Ficou interessado? Lembrou das batalhas que travava com seus irmãos na infância? Então dê uma espiada no vídeo a seguir, mostrando como foi o Pillow Fight Day de Nova York no ano passado.





Para liberar sua porção criança, basta comparecer ao local na data e na hora marcadas, carregando um travesseiro ou uma almofada, preferencialmente de penas – são mais fofos e criam um efeito bacana. Todas as regras podem ser lidas no blog montado por Dipi Evil, idealizador da edição gaúcha, que também fez parte do Zumbi Walk e do Iron Maiden Walk.

Antes mesmo da divulgação na imprensa, levando em conta apenas os associados da comunidade especialmente criada no Orkut, Dipi estima que o mob porto-alegrense reunirá, pelo menos, 150 pessoas.

É praticamente impossível chegar perto do sucesso de São Francisco, que antecipou as bordoadas de 2009 para o o último dia 14 de fevereiro, reunindo cerca de 5 mil pessoas. Mas é óbvio que mostrarei tudo aqui.


PILLOW FIGHT DAY PORTO ALEGRE
04 de abril, 17h, no Arco da Redenção
(51) 9251.1877

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Baila comigo: como contratar João Manff, o dançarino de aluguel

Meu pai era homem de dançar com lenço na mão, só para não suar a da moça. Já eu, ficava de braços esticados, tocando apenas os ombros do par. Meus filhos ainda não vão pra balada, mas tenho certeza de que dançarão eu-comigo-mesmo, ao som daquele tuum-tuum-tuum.

Gerações à parte, admiro o casal que rodopia leve na pista. O cavalheiro, conduzindo a dama. A dama, se deixando levar. O problema é que homens bons de bailado vêm escasseando.

Descobri a saída com João Manff, que trabalha como Personal Dancer - ou, melhor traduzindo, dançarino de aluguel.

No dia e na hora marcados, João veste a beca adequada e leva a cliente para dançar. E se a mulher ficar constrangida, dá para chamar até 4 amigas. Em três horas consecutivas, tempo mínimo do serviço, cada uma o terá por mais de 30 minutos.

Achou diferente? Então saiba que é só o começo. Com a experiência de quem tem diploma de educação física, se formou em ballet clássico, dá aulas particulares de dança, é professor de academia famosa e pertenceu ao grupo Balletto (companhia masculina que fez furor nos palcos porto-alegrenses, lá nos anos 80), João oferece seus dotes pés-de-valsa em outros formatos.

Pretende dar uma festa de arromba e não quer nenhuma convidada parada? João leva as músicas, aciona-as pelo computador e vai para a pista.

Não há nada para fazer no próximo sábado, seu corpo pede um remelexo, mas você desconfia que o bolero está morto? Ele sabe onde e quando rolam os bailes da cidade.

Com 42 anos de idade, 1,84 de altura e porte de atleta, é lógico que João já caiu em saias justas. Volta e meia aparece uma mulher querendo que seus braços a envolvam mais um pouquinho. Mas ele, com a educação que caracteriza os cavalheiros, acaba com o mal entendido. E sempre se previne: “Por telefone, já exponho o que é o serviço”.


JOÃO MANFF
(51) 9296.6986 e 3381.2158
joaomanff@yahoo.com.br

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sugestão para o Natal: literatura na caixa de fósforos

Já sei o que vou dar de Natal para meus amigos não-secretos. Quem tem a sina de gostar de mim, traduzirá meu afeto em cinqüenta minicontos, cada um com até cinqüenta letras, todos reunidos numa caixa de fósforos.

Ontem pela manhã, nem eu imaginava tal presente. A decisão veio depois, na minha ronda diária por blogs bem bons, quando li sobre o Dois Palitos. O livro que Samir Mesquita concebeu, escreveu, produziu e distribui sem nenhuma editora está, sim, à venda em Porto Alegre.

Para saber mais, bastaria ler as matérias que a Folha de São Paulo, a Bravo, a Eldorado e a própria Zero Hora, entre outros veículos da grande imprensa, já fizeram sobre o assunto. Mas curioso, feito São Tomé, precisa ver de perto.

Às três da tarde, Samir identificado por um pacote idêntico ao da Fiat Lux, eu pela bolsa vermelha, nos encontramos num café da Faria Lima. Os cabelos arrepiados da foto são do moço que nasceu em Curitiba (PR), cresceu em Alfaena (MG) e calhou de trabalhar em São Paulo, mais precisamente na agência África, onde ganha dinheiro para sua invejável independência literária.


Duas horas depois, no caminho para casa, meu filho amainava a aridez do engarrafamento em voz alta:

“Devia até as calças. Pagou tudo e arrumou um bico como stripper.”

“Choveu canivete. Ninguém sobreviveu para contar”.

“ Rio 40 graus. 10% do corpo coberto mexiam com 100% do meu.”

Entre no site do Samir, risque um fósforo virtual e saboreie, antes que a chama se apague, esses e outros microcontos que ele renova mensalmente: “é bônus track para quem tem o livro e aperitivo para quem não leu”. Se as palavras viciarem, também dá para assinar o twitter e recebê-las no celular.

Nada, entretanto, substitui a experiência da caixa de fósforos. No ônibus, ao pegar a embalagem, uma leitora ouviu do passageiro ao lado: aqui não pode fumar. Já no sítio, o assador só não brigou com o dono do livro porque gostou dos textos, mas ficou sem fogo para fazer o churrasco. Eu mesma me enganei na hora de acender o cigarro.

Na Livraria da Vila, em São Paulo, o Dois Palitos ficou dois meses na prateleira dos mais vendidos – e só mudou de lugar porque se transformou no mais roubado. Na capital gaúcha, só há duas maneiras de comprar a preciosidade: indo à Letras & Cia ou escrevendo para o autor, que providencia a entrega pelo correio. Em ambos os casos, o preço também é micro (10 reais). Mas o impacto do presente, aposto, será inversamente proporcional.

LETRAS & CIA
Av. Osvaldo Aranha, 444, Bom Fim
(51) 3028-9954
segunda a sexta, 10 às 20h; sábado, 10 às 15h

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Os menores livros do mundo

Sorte de quem pode terminar seu dia na Feira do Livro. Como estou prestes a viajar (na semana que vem eu explico melhor), não posso estar aí para respirar cultura perto do porto. O que - bendita tecnologia, viva os amigos - não me impede de saber o que anda acontecendo na Praça da Alfândega.

Se você já foi até lá, vai entender por que preciso falar sobre a barraca 2 do setor internacional, que fica entre a rua Siqueira Campos e a avenida Mauá. Com sede no Peru, a editora Os menores livros do mundo é um prato cheio pra turma do tenho-que-ver-o-que-é-isso.


Todos, absolutamente todos os 300 títulos vendidos no local são mínimos. Cinqüenta e três deles foram editados em português, dividindo-se em oito categorias: amor, auto-ajuda, clássicos, crianças, exotéricos, pensamento vivo, religião e, na linha funcional, os livros-chaveiro. O preço médio é de 15 reais.

Tem Dom Casmurro, A Escrava Isaura, A Santa Bíblia Ilustrada (!), Dom Quixote e histórias infantis, apenas para citar alguns exemplos. Tanto O Pequeno Príncipe, de 427 páginas, quanto o Kama Sutra, campeões de venda até agora, não passam de 5 X 6 centímetros.

Achou diminutos? Então foque bem o olhar e procure pela coleção Te amo, formada por três volumes. Cada um deles traz 30 poemas de vários autores, tem 120 páginas e, pasmem!, 1,5 centímetro de altura. É mais ou menos o tamanho de uma unha. Só não dá pra perder porque inclui a estante.


Elias Avilio, representante da editora no Brasil, garante que ninguém precisa de lupa para ler as obras publicadas na íntegra, encadernadas em capa dura e com lombada em alto relevo. Depois da feira, a única maneira de comprar os mini-livros será por encomenda. Pelo que se sabe, nenhuma livraria da cidade oferece o catálogo. Ou será que a gente é que não está enxergando direito?

fotos: Rômulo Valente (1,2 e 3) e divulgação (4)

OS MENORES LIVROS DO MUNDO
54ª Feira do Livro de Porto Alegre
Setor Internacional, barraca 2
Praça da Alfândega, Centro
(19) 9210.2682
até 16 de novembro, das 13h às 21h

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Dia do Livro: onde comprar a história da igreja Maradoniana

Hoje é o Dia do Livro. E hoje, também, Maradona foi manchete em vários veículos da imprensa. Sem dar bola para os críticos, Dieguito foi confirmado como novo técnico da seleção argentina.

Apesar da rixa gaúcha com los hermanos, bastou juntar lé com cré pra lembrar da Calle Corrientes, livraria e sebo que só vende edições em espanhol. Achei a dita vasculhando a Internet e visitei o lugar num dos meus périplos pelo centro de Porto Alegre. Jamais imaginaria que naquele prédio antigo da rua Uruguai, esquina com a avenida Mauá, havia uma sala lotada de textos diagramados na terra do tango, na Espanha, no Uruguai e no México.

Ao chegar no local, não espere encontrar vitrine ou fachada. Suba pelo elevador, bata na porta e aguarde. Com sorte, você será atendido por Miguel Gómez Ángel, dono do estabelecimento, que nasceu perto de Buenos Aires e viaja peridiocamente pra lá, trazendo novidades e pedidos de clientes. No meio da pequena loja, é bom dizer, também há CDs e DVDs castelhanos.

Como a Calle Corrientes estará na Feira do Livro, é melhor esperar o final da festa para conhecer o endereço. Enquanto isso, procure o estande 2 do setor Internacional se quiser comprar um exemplar de Iglesia Maradoniana – La mano de D10S (assim mesmo, com o número 10 no meio).

Editado em 2007, o livro conta a história da (dizem) única igreja do mundo que reverencia um jogador de futebol. Além de celebrarem casamentos e realizarem batizados durante o ano, seus milhares de fiéis se reúnem hoje, véspera da data de nascimento de Jesu... ôps!, Maradona, para comemorar o Natal.



Clique aqui
para ler uma
palhinha do livro

em PDF



CALLE CORRIENTES
Rua Uruguai, 35, sala 231, Centro
(51) 3226.0995
callecorrientes@portoweb.com.br
www.callecorrientes.com.br

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Chá de lingerie no motel

Quando eu tinha 20 e alguns anos, não entendia como certo empresário gaúcho, hoje radicado em São Paulo, promovia churrascos para os amigos em motéis. É claro que eu deduzia o propósito, mas achava de extremo mau gosto. Hoje, tive mais uma prova de que a criatividade altera conceitos e de que minha opinião (graças!) pode mudar. Deve ser engraçado participar de um chá de lingerie num lugar assim.

Desde setembro, o Sahara tem alugado seus quartos maiores para noivas que querem se despedir da solteirice ao lado das amigas. Antes que você pense besteira, já digo: não rola sacanagem. No máximo um pênis de borracha preso com ventosa na parede, dicas de sexólogas ou strip-teases masculinos - apesar de não haver qualquer convênio com estes serviços, a gerência fornece o telefone dos profissionais.



Por causa do grande número de convidadas, os eventos acontecem nas suítes Grã-Kalifa ou Grã-Vizir, que eu já tinha visitado na época do livro. Fico imaginando o tititi da mulherada ao chegar no ambiente pseudo-otomano que tem duas camas, pista de dança, piscina, ofurô, home-theater, churrasqueira e (pasmem) quatro andares, acessados somente por elevador.



Lissandra Dionisi, gerente da casa, me contou que todas as festas organizadas até hoje aconteceram em domingos à tarde: “é bem dia de chá”. Se a cliente quiser levar as bebidas, eles fornecem as taças. Caso não consuma nada, nem um chocolatezinho erótico, é preciso pagar uma taxa pelo uso da louça e do gelo.

A maioria das participantes são moças acostumadas com a característica hospedagem de quatro horas, mas também comparecem mulheres que nunca pisaram em local parecido – aposto que são as que se divertem mais. Que bom que só uma nubente desistiu da reserva por causa do velho tabu: “a mãe dela disse que não iria, se o chá fosse num motel”.

E você, também faria sua festinha por lá?

MOTEL SAHARA
Rua Rio Branco, 880, Ponta Porã (Cachoeirinha)
(51) 3471.4080

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Filme dos bons

Sexta-feira é dia de voar as tranças. A empregada dorme aqui em casa e a gente sai pra rua. Na semana passada, sem nenhum amigo ter dado a dica, resolvemos ver O Escafandro e a Borboleta.





Apesar de ser francês, o filme tem um efeito superespecial: sem sentimentalismos baratos, quase todas os ângulos mostram o ponto de vista do jornalista Jean-Dominique Balby, editor da Elle, que teve um acidente vascular cerebral em 1995, só manteve o movimento de um olho e escreveu um livro mesmo assim, piscando. A gente ri junto quando o auxiliar de enfermagem coloca um boné peludo no paciente, que pensa: “pronto, agora pareço um coelho”. Em Porto Alegre, só dá pra ver o filme no Bourbon Country. Em São Paulo, há seis salas disponíveis.

Agora quero ler o livro.