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sexta-feira, 5 de março de 2010

Armazém de comidas brasileiras

Já existem revistas, sites e até guias pra quem gosta de viagens gastronômicas. Nesse tipo de turismo, a ordem é comer o que se come no lugar. E bom mesmo é guardar a memória dos lugares na boca. Pois quem tem saudade dos sabores do norte, do nordeste e do serrado brasileiros, vai gostar de saber que Porto Alegre tem, há menos de um ano, um armazém que traz vários produtos culinários de lá.

Em 2006, a dona do Armazém Benedito, Gabriela Germani, passou 20 dias numa praia da Paraíba. Foi o suficiente pra que ela deixasse a publicidade de lado e começasse, antes mesmo de abrir a loja, a revender tucupi, feijão fradinho descascado, manteiga de garrafa, doce de cupuaçu e outras delícias que podem demorar 10 dias pra chegar aqui de caminhão.


Vem do armazém, por exemplo, a carne de sol que muitos chefs porto-alegrenses usam. E em nenhum outro lugar, eu encontrei o famoso guaraná Jesus. Produzido e consumido só no Maranhão, o refrigerante é cor-de-rosa.



Como acaba de ser mãe, Gabriela não fica todo tempo na loja. Portanto, pra comprar os produtos, é melhor telefonar antes, de preferência pela manhã. E se der vontade de chamar os amigos pra um jantar bem brasileiro ou encomendar canapés surpreendentes, a dica segue valendo. Além de cozinhar na casa dos clientes, ela aceita encomendas de mini-acarajé, panelinha de vatapá e sushi de tapioca.

E já que os meus poucos _mas bons_leitores disseram que devo postar minha voz na Bandnews FM, aí vai:



ARMAZÉM BENEDITO
(51) 3019.0433

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sempre curioso: onde encontrar o cardápio do Rib´s

Já saiu no livro e eu comentei, feliz, o resultado da publicação aqui. Mas nunca dei maiores detalhes no blog.

Hoje, Porto Alegre, Quem Diria! fala sobre a lanchonete que ressucitou o cardápio do Rib´s. Nas três lojas da The Best Food, apesar de os nomes serem diferentes, a gente encontra o mesmo Cheese Goleiro, o mesmo prato Independência e aquele milk-shake que alimentou tantas tardes de domingo nos anos 80.

Clique play para saber os endereços e os telefones, na voz desta repórter aqui.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O primeiro leilão de objetos gastronômicos do Brasil

Nunca fui a um leilão. É o tipo de programa que, pensava eu, só aceitaria abastados. Mas estou prestes a mudar meus conceitos. Amanhã, o restaurante Lorita e o Ponto de Arte promovem o Leilão da Boa Mesa - segunda Ana Guarisse, organizadora do evento, primeiro no Brasil a vender apenas objetos ligados à gastronomia. Tem talheres, sopeiras, copos, panelas, garrafas, enfeites e mais uma série de lotes produzidos do século XVIII pra cá. O lance inicial das peças mais baratas é três reais. Outras, por não serem mais usadas, caíram no curioso e custam bem mais.

É o caso do par de porta-ananás – pra quem não sabe, sinônimo pomposo de abacaxi. Vem do tempo em que os europeus gastavam uma baba para importar a fruta e a expunham na mesa como iguaria. Entre as raridades, também há o cognac Martel selado que, de tão antigo, já evaporou um pouco.



Na faixa do não tããão chique, mas curioso, gostei do faqueiro de prata que serviu a primeira classe da Pan Air do Brasil (o logotipo da lendária companhia aérea está lá). Além do quebra nozes em forma erótica – pressione as pernocas e pronto.



Depois do leilão, marcado para as 20h, quem quiser pode aproveitar as delícias do Lorita, comandado pelo casal Roberta Gomes e Peter Knoblich, el gran chef. Serão dois cardápios diferentes, que podem ser escolhidos aqui.

Para jantar num destes ambientes charmosos, é necessário fazer reserva. No leilão, é só aparecer. As fotos e os preços iniciais de todos os objetos estão no site do Ponto de Arte.

Vai dizer que você nunca imaginou levantar uma plaquinha silenciosamente e ouvir: dou-lhe uma! dou-lhe duas! e dou-lhe três! ?


LEILÃO DA BOSA MESA NO RESTAURANTE LORITA
12 de novembro, às 20h
Rua Castro Alves, 678, Rio Branco
(51) 3264.6000 (reservas para o jantar)
www.pontodearte.com.br

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Mais um produto localizado: queijo cottage

O Rio Grande do Sul não tem hábito de consumir queijo cottage. Nos supermercados, o mais parecido com isso é o käs-schmier – o que se explica, óbvio, pela forte influência alemã. Mas o fato é que queijo cottage é bom, barato e que lamentei, nos últimos quatro meses, não ter onde comprá-lo em Porto Alegre. Pelo menos até terça-feira.

No afã de aplacar o frio da noite, troquei o jantar por queijos e vinho. Coisa simples, servida na mesa de centro, para esfomeados de pantufa. Vocês não imaginam a alegria que foi encontrar pelo menos uma loja que vende o produto na cidade.

Entre outras utilidades, o queijo cottage serve para fazer um petisco fácil, bonito e levinho, perfeito pra quem gosta de pizza com sabor de pizza. Passe lá no Armazém 196 Culinária para fazer, em dois toques, a receita aí de baixo:


Cottage Margarita
½ pote de queijo cottage
15 tomates cereja
folhas de manjericão (na falta do ingrediente, enjambrei com cebolinha)
sal a gosto

Corte os tomates em quatro partes e misture-os com os outros ingredientes. Fica melhor com torradinhas.

ARMAZÉM 196 CULINÁRIA
Rua Padre Chagas, 167, Moinhos de Vento
(51) 3023.2346
www.armazemdosimportados.com.br/siteculinaria

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Cozinhando histórias: oficina mistura literatura e gastronomia infantil

Você reclama da agitação do seu filho quando ele está em casa? Para distraí-lo, apela para o DVD? E mesmo que planeje um programa bacana, perde feio na concorrência com o vídeo-game? Quem sou eu para analisar a relação entre pais e filhos, mas se a criança for pequena, arrisco afirmar: o negócio é arranjar um programa divertido para os dois.

Sábado desses, minha filha participou da oficina Cozinhando Histórias, comandada por Michelle Leão. Formada em Gastronomia e Artes Cênicas, a chef começa lendo histórias para as crianças. Depois, todos partem para as panelas. Geralmente, o grupo mais novinho (3 a 6 anos) faz biscoitos e pães. Os mais velhos (de 7 a 12 anos) preparam entrada, prato principal e sobremesa. Todas as receitas são inspiradas no enredo do livro.


Equivocadamente, pensei que eu também participaria da função. E só não fiquei triste porque descobri outro serviço interessante. Assim como fez um grupo de mulheres em Porto Alegre, é possível reunir a filharada e contratar Michelle para uma tarde de brincadeiras gastronômicas. O mesmo vale para festas infantis – neste caso, em vez da lembrancinha comum, o convidado pode levar para casa a massa de pão que ele mesmo fez.


Para saber a data dos encontros abertos (há grandes chances de acontecer de novo na Casa Elétrica), mande um e-mail para a chef e acompanhe o blog da oficina. Lá a gente percebe que os benefícios das aulas vão além da diversão, passando por noções de higiene alimentar, pela segurança na cozinha, pelo exercício da auto-estima e pela formação de futuros comensais, que respeitem a época de cada fruto.

Fotos: Marcelo Schambeck

E se você participar, é bom considerar o aprendizado do pimpolho. Um dia após a aula, fizemos biscoitos com a cara do Mickey aqui em casa e fiquei encarregada do forno. Se tivesse ouvido a Catarina, os quitutes não teriam torrado. Tem certeza de que lugar de criança acompanhada não é na cozinha?

OFICINA COZINHANDO HISTÓRIAS
(51) 9835.2292

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Enxergando com outros olhos: lanchonete com cardápio em braille

Quiçá chegue o dia em que este post não seja curioso. Até lá, fico feliz de encontrar um fast food acessível para cegos. Na última terça-feira, fui conferir o cardápio em braille do Pastel com Borda.



Infelizmente, não consegui levar comigo alguém que soubesse ler o código. Mas a atendente garantiu: tem tudo que está escrito no cardápio comum. Nas 19 páginas pontilhadas, além de 34 tipos de sopa, várias saladas, sobremesas e petiscos, há 49 sabores de pastel, incluindo o The Vents – já estava na hora de alguém capitalizar a velha ofensa e oferecer o legítimo pastel de vento, sem nenhum recheio.



Mesmo que não esteja com fome, vale visitar o local e colocar-se no lugar de quem não enxerga. Sem nunca ter estudado o alfabeto básico aí de baixo, fechei os olhos, passei os dedos pelas páginas e (lógico) não entendi nada.

Eu sei que o Saramago escreveu metaforicamente sobre o tema e que o livro já virou filme, mas imagine se você dependesse da boa vontade alheia pra entender qualquer escrito?


PASTEL COM BORDA
R. Fernandes Vieira, 454, Bom Fim (e mais um endereço)
(51) 3779.9999

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Xô, açúcar: confeitaria dietética

A não ser cachorro-quente, poucos salgados me tentam. Já dos doces, sou fã confessa. O que seria de mim se eu fosse diabética?

Achei a resposta na confeitaria Diet House, bem perto do shopping Iguatemi. Lá você encontra dezenas de receitas que diabéticos e candidatos a magros, na maioria das festas, ficam só admirando. É o caso da sobremesa Rei Alberto, da torta Marta Rocha e dos branquinhos, cujo leite condensado é feito por Marli do Carmo Pemp Pereira, a proprietária.



Fui ao local hoje pra tirar fotos. Em prol da reportagem e embalada pela gula, experimentei a mini-torta de maçã. E quase levei pra casa a Sedução, que aparece aí embaixo. Se ontem não tivesse feito o aniversário da minha filha, também carregaria a Nêga Maluca e dois doces de encher os olhos: leite condensado com morango e Gelado (imita a torta de bolacha).



Pra quem achou pouco, a maioria das tortas tem versões maiores. Se for presentear o abstêmio, a dica são as cestas de diferentes tamanhos, com produtos a escolha do cliente – que tal colocar bolinhos de laranja e de maçã, biscoitos de ervas e de goiabada?


No cardápio extenso, ainda há vários salgados que, na cozinha tradicional, sempre levam uma pitada de doçura. E se você quiser montar uma festa infantil sem nada de açúcar, a confeitaria consegue. Só não vale exagerar na dose, alegando que nada engorda. Apesar de terem metade das calorias, os quitutes não fazem milagre.

DIET HOUSE
Av. João Wallig, 851, lj. 101, Passo D´Areia
3325.0983
contato@confeitariadiet.com.br
www.confeitariadiet.blogspot.com
segunda a sexta, 9h30 às 18h; sábados, 9h30 às 16h.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Post para maiores: loja de chocolates eróticos

Esqueça o espanto que a maioria dos chocolates eróticos pode provocar. Comparados aos vendidos na Malícia, sem trocadilho, eles são pinto. Na pequena loja de Claudete Valente, você encontra um mundo de partes íntimas feitas com chocolate caseiro, em tamanhos que variam de dois a 35 centímetros.

Só reproduzindo o órgão sexual masculino, são mais de 25 tipos, incluindo os recheados com leite condensado e o sugestivamente batizado de Lembrança do Senegal. Nas caixas reservadas ao tesouro escondido das mulheres, há modelos até para quem não é fã de depilação. Tudo sem o menor preconceito, como comprova o Chocotraveco. E ainda tem a opção gaudéria – procure no site o Pinto Tchê.

Os nomes dos produtos, aliás, são uma história à parte. A cada novidade lançada, Claudete institui um singelo concurso entre os clientes. “Quem der a melhor idéia ganha chocolate”, diz a microempresária, que montou, assim, o menu de pênis, vaginas, seios, nádegas e cenas de sexo explícito - aqui descritos com palavreado bem mais ameno do que o utilizado no cardápio.

O segredo da originalidade pode ser visto no balcão, onde ficam, para eventuais encomendas, as fôrmas de argila inventadas pela lojista, que consegue desempenhar duas profissões: de dia, chocolateira; à noite, professora estadual.

Com o mesmo bom humor, seu marido, Francisco Valente, fala sobre os produtos que arrancam risinhos e suspiros de muitas clientes. “Não fui modelo nem do grande [pênis], nem do pequeno, mas aí eu me pergunto: se não fui eu, quem foi?”.

MALÍCIA CHOCOLATE CASEIRO
(51) 3334.0274
Av. Protásio Alves, 3573, Petrópolis
www.chocomalicia.com.br
seg. a sex. 8h/19h e sáb. 9h/13h30 (fecha em janeiro e fevereiro)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ai, que pecado! Hóstias para fazer doces

Até o início deste mês, eu jurava que hóstias só serviam pra uma coisa. E que ninguém, além da igreja, poderia comprá-las. Não é que errei feio?


Seguindo a dica de um amigo, visitei a livraria Padre Reus, especializada em produtos católicos. No fundo da loja, encontrei uma caixa com três tamanhos de hóstias. Antes que elas se tornem corpo de Cristo, qualquer pessoa pode levá-las pra casa.

A maior, que o padre eleva ao céu, tem 12 centímetros de diâmetro. A média, sete e meio. E as pequenas, chamadas de “partículas”, não passam dos 3,2 - são as mesmas que distribuem nas missas.

Como eu e você imaginávamos, quase todas são vendidas para paróquias. Mas descobri, na Internet, outra forma de utilizá-las. Olhando para o monte de hóstias que trouxe no avião (ainda bem que a INFRAERO não escasquetou com a bagagem), ainda não decidi se imito os mexicanos, recheando-as com doce de leite, se faço como na Colômbia, onde colocam ingredientes salgados, ou se pego receitas brasileiras – tem a versão infantil e a adulta.



De um jeito ou de outro, tire da cabeça a redenção automática. Como as hóstias não são consagradas, é impossível cometer o pecado da gula e, na mesma hora, ser perdoado.
foto da receita:rainhasdolar.com.br


LIVRARIA PADRE REUS
Rua Duque de Caxias, 805, Centro
(51) 3224.0250
livraria@livrariareus.com.br
www.livrariareus.com.br

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Dica para o dia das mães: bolos com esculturas

Eu já falei aqui sobre a Lis Fonseca. Ninguém, na minha opinião, faz bolos tão lindos quanto ela em Porto Alegre. Com uma mão de artista, outra de doceira, ela criar esculturas de açúcar perfeitas.

O assunto volta à pauta por causa do Dia das Mães. Para homenagear aquela que te colocou tantas vezes debaixo da asa, que tal aparecer com o mini-bolo da galinha, rodeada por seus rebentos?
Ou com esse outro, de várias fatias, onde é possível escrever um recado?

E ainda tem os biscoitos de castanha-do-pará, que vem numa embalagem mulherzinha– qual de nós, me diga, não adora ganhar bolsa nova?
Se você gostou da dica, entre no site da Lis, onde estão descritos os tamanhos e os sabores das delícias. Só não demore pra fazer sua encomenda, solicitando tele-entrega. Apesar de faltarem 17 dias para a festa, o número de pedidos é sempre grande.


LIS FONSECA
não divulga o endereço
(51) 3024.5222
lis@lisfonseca.com.br
segunda a sexta, 9h/12h e 13h30/19h; sábado 9h/12h

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Dog do Costeleta: trash no tamanho e no comercial

Não sei o que é mais trash - os supostos 40 centímetros do cachorro-quente ou o vídeo colocado no Youtube.



Na impossibilidade de comparecer ao local, pergunto: alguém aí já encarou o Dog do Costeleta?

DOG DO COSTELETA
Avenida Brasil, s/nº, Navegantes
(51) 3218.6519
todos os dias, 11h/2h

segunda-feira, 30 de março de 2009

Para pequenas e enormes fomes: mini-cheese e cheese-gigante

Na quinta-feira passada, a Associated Press anunciou, como se fosse a maior novidade do mundo, o lançamento de um hambúrguer-monstro nos Estados Unidos. Imediatamente, me veio à cabeça: mas isso já tem em Porto Alegre... E não, não estou falando da Lancheria Coqueiro, citada no meu livro e famosa por seu X-calota.

Para a alegria de quem não mora na zona sul e venera “cheese com X” (versão gaúcha do sanduíche, achatada como personagem atropelado de desenho infantil), conheci no início do mês o Santo Trigo Lanches. Funcionando desde o final de 2008, a casa serve cheese-burguers em tamanhos fora do comum.


Dos 19 sabores do cardápio, 18 vem em pães gigantes – foi preciso pegar a régua para acreditar em seus 23 centímetros quadrados. Todos, com exceção do Vegetariano, são recheados com meio quilo de carne. E alimentam quatro pessoas.

Por razões estomacalmente óbvias, pedi meia porção do X-Salada, mas só consegui traçar 1/4 _ um dos pedaços aí de baixo, levei pra casa. Imagina se eu tivesse encarado o Santo Trigão: reunidos na mesma receita, o filé, o frango, o coração de galinha e a calabresa somam 1 quilo.



Em minha próxima ida à Porto Alegre, pretendo experimentar o Santo Triguinho, perfeito para as crianças e para quem não tem tanta fome. Seguindo a regra do diferente, o último lanche do menu traz três unidades de mini-X com carne e cheddar, do tamanho de um pão de queijo. Neste caso, não vale a promoção que deve atiçar adolescentes: quem comer dois cheese-burguers gigantes sozinho, não paga.

Foto: Marcello Campos

SANTO TRIGO LANCHES
(51) 3377.1009
Av. Mariland, 1557, Mont´Serrat
segunda à sábado, 11h30/24h
(tele-entrega: 11h30/15h e 18h/24h)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Cachorro-quente da Princesa: na mira do maior curioso do Brasil

Uma das melhores maneiras de descobrir produtos e serviços curiosos é ouvir as pessoas. Quando comecei as pesquisas para o livro, muitos me perguntaram se eu não citaria o cachorro-quente do Rosário. Com o máximo de delicadeza que me cabe, eu explicava: uma coisa é ser tradicional; outra é ser diferente.

Em se falando de Porto Alegre, diferente mesmo é o cachorro-quente da Princesa. Apesar de ser superconhecido, sua mostarda é praticamente um segredo de Estado. Questionado sobre o mistério que envolve tal receita, o marido da proprietária, Marco Aurélio Nogueira, me avisou: “No dia em que me aposentar, publico a fórmula na Zero Hora e mato as pessoas de rir”.

Principalmente por causa do sabor, mas também pelo caráter lendário, o quitute foi o assunto do blog do Marcelo Duarte, autor do Guia dos Curiosos e de outros tantos livros sobre o tema.


Fotos: Blog do Curioso

Ontem, ele saiu de São Paulo para entrevistar o Luís Fernando Veríssimo e conseguiu, em sua segunda tentativa, encontrar a confeitaria Princesa aberta.

Clica lá para saber o que o curioso mais curioso do Brasil falou da experiência.


CONFEITARIA PRINCESA
R. dos Andradas, 1812, Centro
(51) 3225.5231
segunda a sexta, 8h30/18h40

terça-feira, 24 de março de 2009

Sábado curioso: jantar com famílias gregas

Uma coisa é ir a um restaurante grego. Outra é se misturar com famílias gregas de verdade, comendo o que elas comem em casa, dançando músicas cantadas no seu idioma e, lógico, quebrando pratos no chão.

Tudo isso pode ser feito nos jantares que a Sociedade Helênica de Porto Alegre organiza apenas três vezes por ano, nos fundos da Igreja Ortodoxa Grega Santos Apóstolos. Uma delas é no próximo sábado, às 20h30, quando a entidade comemora o Dia da Independência na Grécia (25 de março).

Enquanto fazia pesquisas para o livro, eu mesma estive lá. Como nem pensava no blog, não levei minha máquina, mas descobri que a jornalista Jac Oliveira, leitora do Salada Pronta, tinha tirado uma foto do evento. Depois de cantar os hinos da Grécia, do Brasil e de aproveitar o buffet, o povo se joga na pista – é a chance de aprender alguns passos com os bailarinos da comunidade.



Escrito em dois idiomas, o cardápio varia. Na época, tinha Mussaká (berinjela gratinada com molho bechamel, batatas, carne e queijo), Dolmadákia (charutinho de repolho) e Baklavás (massa folhada recheada com nozes, canela e mel). Para beber, Oúzo, tradicional aguardente a base de anis.

Para adquirir o convite, não é preciso se chamar Dimitrios, Athanasios, Constantinos ou outro nome terminado em “s”. Por telefone, qualquer mortal reserva o convite que custa 30 reais, fora bebidas. Tanto os pratos a serem estraçalhados quanto as bandeirinhas azuis e brancas que enfeitam as mesas podem ser comprados na hora.

Coincidência ou não, a festança rola no bairro Partenon.


SOCIEDADE HELÊNICA DE PORTO ALEGRE
Rua Monteiro Lobato, 312, Partenon
(51) 9119-3114 (com Ellen Vranas)
vranascultural@gmail.com
www.helenica.org.br

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Uruguai é aqui: monte Panchos legítimos em casa

Sexta-feira, casa dos amigos, muita fome e ninguém disposto a cozinhar. E lá me fui com a Lu, conhecer a padaria Mercopan, que eu só sabia ser das boas. Com o senso crítico de quem vive na cidade das padocas, confesso que não esperava muito.


Pela primeira vez em Porto Alegre, encontrei um lugar que vende tudo para montar Panchos legítimos em casa. Comprando o pão enorme e a salsicha idem, daquelas que faz créc quando mordida, fica fácil copiar a foto aí de baixo.


Na saída, exercendo minha porção perguntadeira, surpresa: o dono brasileiro da Mercopan é Eduardo Bomfiglio, meu contemporâneo de colégio. Depois de morar por vários anos em Quaraí, fronteira com o Uruguai (país onde ficam a primeira e a segunda loja da padaria), ele resolveu voltar para a terra natal. Junto, trouxe seu pão de cada dia.

Para manter o sotaque castelhano das receitas (também tem pasta frola, pascualina, jesuítas e vigilantes), os fornos são comandados pelo confeiteiro Sérgio Morelle, filho de Julio Morelle, um dos fundadores da casa e sócio de Bomfiglio.

Se a sua preguiça for maior que a nossa, em vez de levar pra casa, trace as delícias ali mesmo, sob o ar-condicionado ou ocupando as mesas da rua. E em momento algum, pense na palavra dieta. Enquanto me preparava para pagar a conta, minhas duas vizinhas de fila exclamavam: “isso aqui é uma perdição”.

MERCOPAN PÃES E DOCES
Av. Ijuí, 641, Petrópolis
(51)3391.8090
mercopan@mercopan.net
www.mercopan.net

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Paulinho, Jacque e o tomate pitanga

O que seria de mim sem a Internet? Só com ela, lá de São Paulo, consigo acompanhar a função porto-alegrense. O que me interessa, anoto no bat-caderninho para visitar. Foi o que fiz depois de ler um post da Fernanda Zaffari, com quem já troquei uma ou outra figurinha de profissão.

Quase caí pra trás quando vi que o Paulinho Cobal, citado no meu livro por vender flores comestíveis, estava casado com a Jacque Biginski Nunes, a ceramista criativa que teve atelier na Dinarte Ribeiro e decorou meu casamento.

Na quinta-feira passada, cinco horas da tarde, visitei a nova quitanda da dupla. O que era um garajão virou uma loja cheia de bossa. Numa carroça de verdade, para a alegria fru-fru de quem recém fez as unhas, encontrei pistache descascado. As flores comestíveis, delicadíssimas, ficam guardadas no freezer.


Agora, frutas, verduras, arroz, feijão, temperos, legumes e adjacentes convivem com peças exclusivas de cerâmica. Pena que acabou a bateria da máquina bem na hora de fotografar uma penosa esculpida simpaticíssima, tatuada com a frase “sou muito galinha”.

Além de ver a Jacque, comprei uma novidade. E antes de contá-la por aqui, apostei na enquete caseira: você conhece tomate pitanga?

Nenhum dos sete participantes da pesquisa, tampouco a empregada da minha sogra, conhecia o vegetal que tem três ou quatro produtores no Estado. Fatiado, lembra um trevo graúdo. Segundo Paulinho, a safra vai até o final de fevereiro.


Depois da foto sofrível aí de cima, tracei o dito cujo com sal e azeite. Se o tamanho é de tomate gaúcho, o gosto está mais para tomate comum. Mas que fica lindo numa salada, fica.

PAULINHO COBAL
R. Quintino Bocaiúva, 180, Moinhos de Vento
(51) 3337.5574
seg. a sáb. 8h às 21h