terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Uma curiosa em Amsterdam

Só a Jac, o Artur e o Ricardo responderam à minha pergunta: devo ou não devo comentar o que encontrei nos meus 17 dias de velho mundo? Todos os demais leitores, que não devem ser tantos, ficaram calados. Talvez porque discordem, possivelmente porque acham que não vale a pena tecer comentários. Pelo sim, pelo não, me sinto na obrigação de honrar a quem atendeu meu apelo.

Antes de deixar Amsterdam, eu e o Fernando demos mais um passeio pelo centro. A loja que nos interessava, cheia de traquitanas com design, só abria depois do meio-dia. E fomos fazer hora no Mercado das Flores, um tanto decepcionante - a gente nem nota que flutua. Apesar do cultivo indiscriminado da maconha ser proibido, uma banca vendia sementes de marijuana enlatadas.



Passados os vinte minutos necessários, a tal loja tinha aberto suas portas. Foi onde adquiri alguns presentinhos de Natal. Para o Jonas, que mora sozinho há pouco tempo, compõe e cozinha, compramos um paliteiro Vodoo e fôrmas de gelo em forma de guitarra. O grande barato é que o braço dos instrumentos, feito de plástico, serve de mexedor.











Quase tudo que chamou atenção minha atenção é da marca Fred, reunião de cinco designers americanos. Não fosse a alta cotação do Euro, também teríamos arrematado a tatuagem de mão para anotar pequenas listas de supermercado (acompanha uma caneta com tinta atóxica) e outras fôrmas para gelo, desta vez na versão caveira.








No site da marca, você encontra outros objetos para tornar sua casa, sua cozinha, suas festas e seu dia-a-dia muito mais divertidos. A maioria pode ser comprada via Amazon, onde o preço só parece menor. Com as taxas de importação e de transporte até o Brasil, fica mais caro do que eu paguei. E a gente não tem aquela sensação ímpar de futricar nas prateleiras, repetindo de dois em dois minutos: “o-lha-só-is-so!”.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Tempo é luxo

Já reclamei de não trabalhar fora. Até que me dei conta: fazer o próprio horário, levar os filhos à escola e decidir quando será domingo é sonho de consumo hoje em dia. O tempo se transformou no luxo da atualidade, me disse a Valéria Portella, depois de me dar uma dica de presente.



Por sugestão da minha amiga, comprei A Sombra do Vento, publicado pela Suma de Letras. Dane-se quem fizer cara feira para sua condição de best seller. O enredo de Carlos Ruiz Zafón é tão viciante quanto uma caixa de Bis branco, que eu não consigo abandonar antes de ter terminado.

Em plena segunda-feira, indulgenciada pelo final de semana trabalhoso, me permiti passar a tarde devorando os penúltimos capítulos da história detetivesca. Quem tem a paciência de ler esse blog, quero quer, não me condenará por isso.

Amanhã, depois da última página, eu volto para nossas curiosidades. O que me deixa mais curiosa, neste início de semana luxuoso, é o nome do rosto queimado que insiste em acabar com todos os exemplares escritos por Julián Carax, o herói maldito do romance.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Livro do bebê para cães

Na falta de um filho, muita gente adota cachorro. Compra roupas, faz festa de aniversário e pode anotar suas peripécias numa edição criada especificamente para este fim. Foi inventado em Porto Alegre o primeiro livro do bebê para cães do Brasil.


Com 160 páginas e capa dura, o Diário do Meu Cão tem tudo que têm os livros dos humanos. Nas primeiras páginas, você cola a foto do totó e preenche seus dados. Logo em seguida, registra a impressão digital e coloca as imagens dos pais biológicos – será que algum dono enciumado vai substituí-las pela própria 3 X 4?


E nem a árvore genealógica, vejam só, fica de fora.



Estranhezas à parte (também dá para registrar os brinquedos preferidos, o primeiro dente que caiu, o passeio inaugural e outras estréias do bicho), boa parte da edição se dedica à saúde. Em tabelas ilustradas, fica fácil anotar banhos, tosas, alimentos, peso, vacinas e administração de vermífugos. Quem tem fêmea pode controlar os cios, as gestações e os partos.

Assinado por Vera Souto, dona da Artha Editora, e pela veterinária Rosane Colares, a agenda também traz informações sobre a vida canina e mostra como comparar a idade do animal com a do homem – esqueça a mítica multiplicação por sete.

Só faltou um lugar para guardar os pêlos do totó, o que se resolve com alguma criatividade. Quando marcar o primeiro corte, leve um envelope, coloque uma mecha dentro e cole nas páginas reservadas para anotações.

ARTHA EDITORA
Não divulga o endereço
(51) 3061.4370
artha@arthaeditora.com.br

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sugestão para o Natal: literatura na caixa de fósforos

Já sei o que vou dar de Natal para meus amigos não-secretos. Quem tem a sina de gostar de mim, traduzirá meu afeto em cinqüenta minicontos, cada um com até cinqüenta letras, todos reunidos numa caixa de fósforos.

Ontem pela manhã, nem eu imaginava tal presente. A decisão veio depois, na minha ronda diária por blogs bem bons, quando li sobre o Dois Palitos. O livro que Samir Mesquita concebeu, escreveu, produziu e distribui sem nenhuma editora está, sim, à venda em Porto Alegre.

Para saber mais, bastaria ler as matérias que a Folha de São Paulo, a Bravo, a Eldorado e a própria Zero Hora, entre outros veículos da grande imprensa, já fizeram sobre o assunto. Mas curioso, feito São Tomé, precisa ver de perto.

Às três da tarde, Samir identificado por um pacote idêntico ao da Fiat Lux, eu pela bolsa vermelha, nos encontramos num café da Faria Lima. Os cabelos arrepiados da foto são do moço que nasceu em Curitiba (PR), cresceu em Alfaena (MG) e calhou de trabalhar em São Paulo, mais precisamente na agência África, onde ganha dinheiro para sua invejável independência literária.


Duas horas depois, no caminho para casa, meu filho amainava a aridez do engarrafamento em voz alta:

“Devia até as calças. Pagou tudo e arrumou um bico como stripper.”

“Choveu canivete. Ninguém sobreviveu para contar”.

“ Rio 40 graus. 10% do corpo coberto mexiam com 100% do meu.”

Entre no site do Samir, risque um fósforo virtual e saboreie, antes que a chama se apague, esses e outros microcontos que ele renova mensalmente: “é bônus track para quem tem o livro e aperitivo para quem não leu”. Se as palavras viciarem, também dá para assinar o twitter e recebê-las no celular.

Nada, entretanto, substitui a experiência da caixa de fósforos. No ônibus, ao pegar a embalagem, uma leitora ouviu do passageiro ao lado: aqui não pode fumar. Já no sítio, o assador só não brigou com o dono do livro porque gostou dos textos, mas ficou sem fogo para fazer o churrasco. Eu mesma me enganei na hora de acender o cigarro.

Na Livraria da Vila, em São Paulo, o Dois Palitos ficou dois meses na prateleira dos mais vendidos – e só mudou de lugar porque se transformou no mais roubado. Na capital gaúcha, só há duas maneiras de comprar a preciosidade: indo à Letras & Cia ou escrevendo para o autor, que providencia a entrega pelo correio. Em ambos os casos, o preço também é micro (10 reais). Mas o impacto do presente, aposto, será inversamente proporcional.

LETRAS & CIA
Av. Osvaldo Aranha, 444, Bom Fim
(51) 3028-9954
segunda a sexta, 10 às 20h; sábado, 10 às 15h

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Hoje, só amanhã

Trinta e seis minutos de quinta-feira. Ontem ficou sendo hoje. Não consegui escrever. Faltou tempo para traduzir uma caixa de fósforos.
Amanhã, que ainda será hoje, você vai me entender.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Bom humor contra a Aids

Aids não é brincadeira. Sexo pode ser divertido. Na semana do Dia Mundial de Combate à Aids, como ninguém respondeu minha pergunta de ontem, resolvi mostrar um produto que descobri durante a minha viagem e que promete proteção e risadas. Mais risadas do que proteção, eu diria. Embaixo das cápsulas, o fabricante das inacreditáveis camisinhas avisa: elas não são contraceptivas.



O porco, o tubarão e o que imagino ser um alienígena (nem me atrevi a pedir a descrição exata em holandês) foram os únicos produtos que arrematei na When Nature Calls Smartshop, onde você também encontra cogumelos, ervas, energizantes e produtos à base de maconha, em frente a um dos tantos canais de Amsterdam. Depois que o site da loja estiver nos trinques, sobrará pouca coisa lícita para nós, brasileiros, comprarmos online.



O destino das gracinhas? Vou dar de presente para o meu enteado. Mesmo sendo superinformado, ele vive a incandescência dos 19 anos. Mais do que a campanha de 2008 contra a Aids (pela primeira vez focada em homens acima dos 50 anos, como mostra o vídeo a seguir), o bom humor dos bichinhos pode lembrá-lo de carregar camisinhas comuns. Apesar de não terem nenhuma graça, elas, sim, evitam a doença que já roubou do câncer o título de mal do século.



WHEN NATURE CALLS SMARTSHOP
Keizersgracht 508, esquina com Leidsestraat
Amsterdam (Holanda)
www.whennaturecalls.nl

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Depende de vocês

Hoje eu posso dizer que voltei. Meu avião aterrissou no sábado, mas nada como uma segunda-feira com notas do filho na escola, contas para pagar e o trânsito paulistano pra fazer a gente cair na real. De qualquer maneira, a realidade faz bem. Só ela me mostra do que sou (ou não) capaz.

Pensei e repensei: escrevo ou não escrevo sobre o que vi em Barcelona, Amsterdam e Paris? Para neófitos como eu, tudo é diferente. Algumas coisas, entretanto, não lembro de ter visto nem na web.

Na Catalunha, adianto que estive em uma loja fantástica. A caminho do MACBA – Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, passei pela frente da The Air Shop. Tudo que eles vendem é inflável. De porta-retratos a espelhos. De luminárias a quadros. Fiquei besta com os vestidos cheios de ar.

Em Amsterdam, imagino, sexo e drogas devem até ter semana de liquidação. Entre baseados e cogumelos, sex shops e vitrines expondo mulheres, encontrei um lugar com traquitanas supercuriosas, bem pra quem gosta de design. Tenho comigo a imagem de tatuagens para anotar lembretes na palma da mão.

Tudo virá com fotos e detalhes para o Salada Pronta, dependendo só de vocês. Diga aí, por favor: devo ou não falar de outras cidades num blog que, afinal, trata de Porto Alegre?