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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Literatura no engarrafamento

Só sente uma cidade quem mora nela. Nos últimos seis anos, apesar de visitar sempre Porto Alegre, não percebi no acelerador o que tanto comentavam: “o trânsito aqui está brabo”.

Pensando nos engarrafamentos que, pelo jeito, estarão pra sempre no meu caminho, lembrei do 18:30. É o segundo livro do Samir Mesquita, que fez o maior sucesso com Dois Palitos – lembra dos micro-contos embalados em caixas de fósforos? O lançamento foi no final de abril, numa esquina lotada de São Paulo, mas soube que tem pra vender na Bamboletras, na Sapere Aude! e na Letras & Cia.



À moda Samiriana, não há nada parecido nas livrarias. No lugar de páginas, a edição traz o mapa de um cruzamento atravancado. De cada carro, sai uma história diferente:

“Se Deus assistia a tudo lá de cima, agora ele tinha dado um PAUSE.”

“PHD. VIP. CEO. Tudo que queria ali era ser o motoboy.”

“ Processava o chefe por assédio. Mas era nele que pensava com a mão no câmbio.”


Clica lá pra espiar a obra e conseguir um exemplar sem colocar a mão na carteira. Investindo na própria formação literária, Samir fez uma lista de livros que gostaria de ter em sua biblioteca. Escolha um dos títulos, mande para o autor e receba, em troca, o 18:30 na sua casa.


18:30
samir@samirmesquita.com.br
www.samirmesquita.com.br

SAPERE AUDE! LIVROS
R. Lopo Gonçalves, 33, lojas 1 e 2, Cidade Baixa
(51) 3221.0203
www.sapereaudelivros.com.br


LETRAS & CIA
Av. Osvaldo Aranha, 444, Bom Fim
(51) 3028.9954
www.letrasecia.com.br

BAMBOLETRAS
R. Gen. Lima e Silva, 776, lj. 03, Cidade Baixa
(51) 3227.9930
livraria@bamboletras.com.br

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Locadora de livros

Logo que cheguei a São Paulo, lá se vão seis anos, estranhei e comemorei o grande número de sebos no meu bairro. Não deu dois meses, e a lojinha da esquina aumentou meu contentamento: se transformou numa locadora de livros.

Para quem precisa chamar o livro de seu, o negócio não parece ter serventia. Mas foi uma mão na roda para eu ler autores que nunca tinha lido. Antes de investir no desconhecido, eu descia o elevador do prédio, andava duas casas e começava o test-drive.

Em Porto Alegre, nunca soube de serviço parecido. Até entrar na Livraria Porto, onde a Valéria e o Ricardo, vendedores da casa, me perguntaram: já conhece a Dona Leda?

Entre livros: Leda Oliveira (esquerda), dona da
locadora, e Solange Scalco, a fiel ajudante

Cinco dias depois, conversávamos no seu apartamento da avenida João Pessoa, onde a bibliotecária mantém cerca de 2.000 volumes para aluguel. Dividido por área de conhecimento – há literatura brasileira, estrangeira e infanto-juvenil; espiritismo, biografias, história e grande quantidade de best sellers atuais -, o acervo da Telelivro recebe novidades toda semana. A maioria, comprada por Leda. Algumas, provenientes de doações.

“Detesto aposentadoria”, disse Leda Ferreira de Oliveira, quando o INSS tentou aquietar sua faceirice. Na impossibilidade de vender semi-jóias (“ia ficar com tudo pra mim”) e de tocar piano (poderia atrapalhar os vizinhos na madrugada), ela decidiu continuar fazendo o que sabia.



No acervo controlado por
computador, a presença (ôba!)
de "Os Endereços Curiosos de Porto Alegre"

Por 5 reais, qualquer pessoa loca o livro durante 15 dias. E como o número de clientes assíduos pode ser contado nas mãos, Leda não vive disso. Ou, melhor, não se sustenta. Aos 82 anos, a porto-alegrense distribui olás pelo bairro e se alimenta de longas conversas com seus leitores, todos transformados em amigos. De que forma você acha que ela conheceu Solange Scalco, sua fiel ajudante das quartas-feiras?

Antes da primeira locação, é preciso ligar, dizer quem indicou o serviço e informar o próprio telefone – previdente que é, Leda retorna a chamada antes de revelar o endereço. Localizado o esconderijo, reserve algum tempo para a visita. Apesar de não ter mais do que dez metros quadrados, a biblioteca oferece chá e bolachinhas.

TELELIVRO
não divulga o endereço
(51) 3227.5759 e 9965.5759
leda.f.oliveira@terra.com.br
com hora marcada

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Livro do bebê para cães

Na falta de um filho, muita gente adota cachorro. Compra roupas, faz festa de aniversário e pode anotar suas peripécias numa edição criada especificamente para este fim. Foi inventado em Porto Alegre o primeiro livro do bebê para cães do Brasil.


Com 160 páginas e capa dura, o Diário do Meu Cão tem tudo que têm os livros dos humanos. Nas primeiras páginas, você cola a foto do totó e preenche seus dados. Logo em seguida, registra a impressão digital e coloca as imagens dos pais biológicos – será que algum dono enciumado vai substituí-las pela própria 3 X 4?


E nem a árvore genealógica, vejam só, fica de fora.



Estranhezas à parte (também dá para registrar os brinquedos preferidos, o primeiro dente que caiu, o passeio inaugural e outras estréias do bicho), boa parte da edição se dedica à saúde. Em tabelas ilustradas, fica fácil anotar banhos, tosas, alimentos, peso, vacinas e administração de vermífugos. Quem tem fêmea pode controlar os cios, as gestações e os partos.

Assinado por Vera Souto, dona da Artha Editora, e pela veterinária Rosane Colares, a agenda também traz informações sobre a vida canina e mostra como comparar a idade do animal com a do homem – esqueça a mítica multiplicação por sete.

Só faltou um lugar para guardar os pêlos do totó, o que se resolve com alguma criatividade. Quando marcar o primeiro corte, leve um envelope, coloque uma mecha dentro e cole nas páginas reservadas para anotações.

ARTHA EDITORA
Não divulga o endereço
(51) 3061.4370
artha@arthaeditora.com.br

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sugestão para o Natal: literatura na caixa de fósforos

Já sei o que vou dar de Natal para meus amigos não-secretos. Quem tem a sina de gostar de mim, traduzirá meu afeto em cinqüenta minicontos, cada um com até cinqüenta letras, todos reunidos numa caixa de fósforos.

Ontem pela manhã, nem eu imaginava tal presente. A decisão veio depois, na minha ronda diária por blogs bem bons, quando li sobre o Dois Palitos. O livro que Samir Mesquita concebeu, escreveu, produziu e distribui sem nenhuma editora está, sim, à venda em Porto Alegre.

Para saber mais, bastaria ler as matérias que a Folha de São Paulo, a Bravo, a Eldorado e a própria Zero Hora, entre outros veículos da grande imprensa, já fizeram sobre o assunto. Mas curioso, feito São Tomé, precisa ver de perto.

Às três da tarde, Samir identificado por um pacote idêntico ao da Fiat Lux, eu pela bolsa vermelha, nos encontramos num café da Faria Lima. Os cabelos arrepiados da foto são do moço que nasceu em Curitiba (PR), cresceu em Alfaena (MG) e calhou de trabalhar em São Paulo, mais precisamente na agência África, onde ganha dinheiro para sua invejável independência literária.


Duas horas depois, no caminho para casa, meu filho amainava a aridez do engarrafamento em voz alta:

“Devia até as calças. Pagou tudo e arrumou um bico como stripper.”

“Choveu canivete. Ninguém sobreviveu para contar”.

“ Rio 40 graus. 10% do corpo coberto mexiam com 100% do meu.”

Entre no site do Samir, risque um fósforo virtual e saboreie, antes que a chama se apague, esses e outros microcontos que ele renova mensalmente: “é bônus track para quem tem o livro e aperitivo para quem não leu”. Se as palavras viciarem, também dá para assinar o twitter e recebê-las no celular.

Nada, entretanto, substitui a experiência da caixa de fósforos. No ônibus, ao pegar a embalagem, uma leitora ouviu do passageiro ao lado: aqui não pode fumar. Já no sítio, o assador só não brigou com o dono do livro porque gostou dos textos, mas ficou sem fogo para fazer o churrasco. Eu mesma me enganei na hora de acender o cigarro.

Na Livraria da Vila, em São Paulo, o Dois Palitos ficou dois meses na prateleira dos mais vendidos – e só mudou de lugar porque se transformou no mais roubado. Na capital gaúcha, só há duas maneiras de comprar a preciosidade: indo à Letras & Cia ou escrevendo para o autor, que providencia a entrega pelo correio. Em ambos os casos, o preço também é micro (10 reais). Mas o impacto do presente, aposto, será inversamente proporcional.

LETRAS & CIA
Av. Osvaldo Aranha, 444, Bom Fim
(51) 3028-9954
segunda a sexta, 10 às 20h; sábado, 10 às 15h

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Os menores livros do mundo

Sorte de quem pode terminar seu dia na Feira do Livro. Como estou prestes a viajar (na semana que vem eu explico melhor), não posso estar aí para respirar cultura perto do porto. O que - bendita tecnologia, viva os amigos - não me impede de saber o que anda acontecendo na Praça da Alfândega.

Se você já foi até lá, vai entender por que preciso falar sobre a barraca 2 do setor internacional, que fica entre a rua Siqueira Campos e a avenida Mauá. Com sede no Peru, a editora Os menores livros do mundo é um prato cheio pra turma do tenho-que-ver-o-que-é-isso.


Todos, absolutamente todos os 300 títulos vendidos no local são mínimos. Cinqüenta e três deles foram editados em português, dividindo-se em oito categorias: amor, auto-ajuda, clássicos, crianças, exotéricos, pensamento vivo, religião e, na linha funcional, os livros-chaveiro. O preço médio é de 15 reais.

Tem Dom Casmurro, A Escrava Isaura, A Santa Bíblia Ilustrada (!), Dom Quixote e histórias infantis, apenas para citar alguns exemplos. Tanto O Pequeno Príncipe, de 427 páginas, quanto o Kama Sutra, campeões de venda até agora, não passam de 5 X 6 centímetros.

Achou diminutos? Então foque bem o olhar e procure pela coleção Te amo, formada por três volumes. Cada um deles traz 30 poemas de vários autores, tem 120 páginas e, pasmem!, 1,5 centímetro de altura. É mais ou menos o tamanho de uma unha. Só não dá pra perder porque inclui a estante.


Elias Avilio, representante da editora no Brasil, garante que ninguém precisa de lupa para ler as obras publicadas na íntegra, encadernadas em capa dura e com lombada em alto relevo. Depois da feira, a única maneira de comprar os mini-livros será por encomenda. Pelo que se sabe, nenhuma livraria da cidade oferece o catálogo. Ou será que a gente é que não está enxergando direito?

fotos: Rômulo Valente (1,2 e 3) e divulgação (4)

OS MENORES LIVROS DO MUNDO
54ª Feira do Livro de Porto Alegre
Setor Internacional, barraca 2
Praça da Alfândega, Centro
(19) 9210.2682
até 16 de novembro, das 13h às 21h

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Dia do Livro: onde comprar a história da igreja Maradoniana

Hoje é o Dia do Livro. E hoje, também, Maradona foi manchete em vários veículos da imprensa. Sem dar bola para os críticos, Dieguito foi confirmado como novo técnico da seleção argentina.

Apesar da rixa gaúcha com los hermanos, bastou juntar lé com cré pra lembrar da Calle Corrientes, livraria e sebo que só vende edições em espanhol. Achei a dita vasculhando a Internet e visitei o lugar num dos meus périplos pelo centro de Porto Alegre. Jamais imaginaria que naquele prédio antigo da rua Uruguai, esquina com a avenida Mauá, havia uma sala lotada de textos diagramados na terra do tango, na Espanha, no Uruguai e no México.

Ao chegar no local, não espere encontrar vitrine ou fachada. Suba pelo elevador, bata na porta e aguarde. Com sorte, você será atendido por Miguel Gómez Ángel, dono do estabelecimento, que nasceu perto de Buenos Aires e viaja peridiocamente pra lá, trazendo novidades e pedidos de clientes. No meio da pequena loja, é bom dizer, também há CDs e DVDs castelhanos.

Como a Calle Corrientes estará na Feira do Livro, é melhor esperar o final da festa para conhecer o endereço. Enquanto isso, procure o estande 2 do setor Internacional se quiser comprar um exemplar de Iglesia Maradoniana – La mano de D10S (assim mesmo, com o número 10 no meio).

Editado em 2007, o livro conta a história da (dizem) única igreja do mundo que reverencia um jogador de futebol. Além de celebrarem casamentos e realizarem batizados durante o ano, seus milhares de fiéis se reúnem hoje, véspera da data de nascimento de Jesu... ôps!, Maradona, para comemorar o Natal.



Clique aqui
para ler uma
palhinha do livro

em PDF



CALLE CORRIENTES
Rua Uruguai, 35, sala 231, Centro
(51) 3226.0995
callecorrientes@portoweb.com.br
www.callecorrientes.com.br