sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Dica chic: louça do Titanic

Várias pessoas me perguntam como eu descubro coisas curiosas. Claro que meus olhos já estão treinados, mas o fundamental é querer achar. Vai por mim: se você entrar numa loja com olhos enxeridos, mirando o diferente, vai encontrar muito mais coisas do que imagina.

Foi o que fiz ao visitar a Cook Store, paraíso de gourmets e de noivas que cobiçam cozinhas equipadas. Papo vai, papo vem, soube que a loja (bingo!) vendia a mesma louça usada no restaurante do Titanic.

Da marca alemã Villeroy & Bosch, fundada há 260 anos, os pratos, bules, xícaras, molheiras e travessas (o jogo completo tem mais de 100 peças) são chiquérrimos. Para produzi-los, a fábrica usa pouquíssimos processos mecânicos, pintando e colando todos os detalhes a mão.



O modelo do Titanic, que aparece aí em cima, é o Old Luxemburg. Uma unidadezinha do prato raso custa 160 reais. Não souberam me dizer de cabeça o nome da linha que o príncipe Charles usa no seu palácio de verão, mas também dá para encomendar.

Segundo Fernando Pascoal, dono da Cook Store, “a tendência é não comprar a bateria completa”. Em outras palavras: é possível levar a xícara, o pires e colocá-los sobre um prato de sobremesa azul mais econômico, misturando cores e estilos. Não sei quem foi que disse, mas eu concordo: a elegância está nos detalhes.

COOK STORE
Rua Pedro Ivo, 844, Mont´Serrat
(51) 3333.3300
cookstore@cookstore.com.br
www.cookstore.com.br

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Haloween brazuca: onde alugar fantasias para crianças e adultos

Ano passado, no dia 31 de outubro, as crianças do meu prédio bateram três vezes aqui em casa, pedindo doces por causa do Haloween. Lembrei que tinha vontade de fazer o mesmo, lá nos anos 70, quando a tal festa só aparecia nos filmes americanos da sessão da tarde. Vejam o que fez a (desculpem a palavra prostituída) globalização.

Pra quem tem dez anos, deve ser divertido vestir uma fantasia amedrontadora e intimar os vizinhos. Só não adianta fazer como o Eric, amigo do meu filho, que enfiou um saco de supermercado na cabeça e queria, só por isso, levar nosso estoque de M&M´s. Se seu rebento for se americanizar amanhã, poupe o pimpolho da enjambração e procure a Celebration Complex.

Entre as cinco mil fantasias que a casa aluga, você não encontrará grande variedade infantil, mas há roupas de drácula, chapéus e vestidos de bruxa. Pelo jeito, os adultos estão mais interessados em se fantasiar: a maioria das peças disponíveis cabe apenas em gente grande.










A temida
luva do
Fred Krueger: um dos itens
da fantasia
alugada pela
Celebration, que ainda tem
máscara, chapéu
e blusa listrada



Caso você queira recuperar a infância perdida e decida ameaçar o apartamento ao lado junto com os pequenos, evite o mico locando um modelito cuja máscara cubra a cabeça – é só ficar calado, no máximo grunindo, pra não ser reconhecido. Aos fãs de A Hora do Pesadelo, recomendo a fantasia do Fred Krueger, interpretado pelo sempre temível Robert Englund, que pode inspirar outras brincadeirinhas. Gogglei agora o ator e descobri que ele estrelou, a paisana, junto com a estrela pornô Jena Jameson, a nova comédia de terror erótico Zombie Strippers.

CELEBRATION COMPLEX
Rua Mariante, 483, Rio Branco
(51) 3332.6085
tancau@terra.com.br
www.celebrationfantasias.com.br

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Dia do Livro: onde comprar a história da igreja Maradoniana

Hoje é o Dia do Livro. E hoje, também, Maradona foi manchete em vários veículos da imprensa. Sem dar bola para os críticos, Dieguito foi confirmado como novo técnico da seleção argentina.

Apesar da rixa gaúcha com los hermanos, bastou juntar lé com cré pra lembrar da Calle Corrientes, livraria e sebo que só vende edições em espanhol. Achei a dita vasculhando a Internet e visitei o lugar num dos meus périplos pelo centro de Porto Alegre. Jamais imaginaria que naquele prédio antigo da rua Uruguai, esquina com a avenida Mauá, havia uma sala lotada de textos diagramados na terra do tango, na Espanha, no Uruguai e no México.

Ao chegar no local, não espere encontrar vitrine ou fachada. Suba pelo elevador, bata na porta e aguarde. Com sorte, você será atendido por Miguel Gómez Ángel, dono do estabelecimento, que nasceu perto de Buenos Aires e viaja peridiocamente pra lá, trazendo novidades e pedidos de clientes. No meio da pequena loja, é bom dizer, também há CDs e DVDs castelhanos.

Como a Calle Corrientes estará na Feira do Livro, é melhor esperar o final da festa para conhecer o endereço. Enquanto isso, procure o estande 2 do setor Internacional se quiser comprar um exemplar de Iglesia Maradoniana – La mano de D10S (assim mesmo, com o número 10 no meio).

Editado em 2007, o livro conta a história da (dizem) única igreja do mundo que reverencia um jogador de futebol. Além de celebrarem casamentos e realizarem batizados durante o ano, seus milhares de fiéis se reúnem hoje, véspera da data de nascimento de Jesu... ôps!, Maradona, para comemorar o Natal.



Clique aqui
para ler uma
palhinha do livro

em PDF



CALLE CORRIENTES
Rua Uruguai, 35, sala 231, Centro
(51) 3226.0995
callecorrientes@portoweb.com.br
www.callecorrientes.com.br

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Doutor de plantas

Devo ter mais de dez mortes no meu currículo. Pelos meus cálculos, já matei um fícus, dois buchinhos, duas maria-eugênias, três moréias e o mesmo número de temperos em vaso. Não que eu não tenha sentido a aproximação do fim, mas aí, já era tarde. Se estivesse em Porto Alegre, provavelmente chamaria Jorge Moreira Filho.

Depois que se formou em agronomia, Jorge perdeu as contas das dicas que deu de graça. Sempre aparecia uma criatura querendo sua opinião sobre um problema vegetal. Com o tempo, ele percebeu que poderia ganhar algum dinheiro com isso e começou a dar consultas em domicílio.

Se você tem uma árvore, uma flor ou uma planta doente, Jorge vai até o local, diagnostica o mal e receita a solução. Quando o problema é simples, resolve na hora mesmo. Diante de situações mais graves, prevê o número de retornos e os passos necessários para a cura. Pode ser poda, adubação, troca de vaso, aplicação de remédios ou transplante.

O preço do serviço é calculado por hora e não inclui materiais. Tampouco técnicas sensitivas. Pra quem acredita que conversar com as plantas faz bem a elas, o doutor de jardins esclarece: “isso pode funcionar como terapia, mas só pra gente mesmo”.

JORGE MOREIRA FILHO
(51) 9908.0983
jmfilho1@bol.com.br

domingo, 26 de outubro de 2008

Lente poderosa, miopia potencializada

Tive uma amiga que esperava ansiosamente os 50 anos para, enfim, desfilar de baiana na Sapucaí. Será que alguém valoriza as próprias rugas, só por elas serem entrevistadas nas eleições? O texto do Marcelino Freire dá pistas que não.

VOVOZONA

Ah! Meu filho. Vem sempre uma TV me ver. Entrevistar. Aos 90 anos eu vou mais uma vez me arrastar. Para votar. Ceguinha. Vou teclar no candidato. De curvada memória. Nem é preciso anotar. Pra quê? Hoje todo mundo vai dizer. Que estou caduca. Em tempo de morrer. Ah! Meu filho. É um cansaço tão comprido. Este meu dever. Cívico. Sei que não tenho mais físico. Mas o povo gosta. Deste lado falido. Heróico. Na hora em que coloco o meu vestido. O mocinho me acompanha. Vai um repórter em minha cola. Até a zona. Ah! Meu filho. Ando tão raivosa. Tão pouco bondosa. Ultimamente. Quando menos esperarem. Ave! O que deu na senhora? Ali mesmo. De repente. O meu protesto. Sei que demorei. Era para ter feito. Desde a época do Getúlio. Ora. Eu sei. Mas a vida vai nos amassando. A gente vai acreditando. Pondo fé. Pois é. No milagre que não vem. Meu Deus! Amém! A pensão do falecido. Caiu no esquecimento. O meu amor. No chão. Debaixo da terra. O tanto que ele era ciumento. Eu não podia me arrumar. Lá vai ela passear. Madalena. Cheia de pluma. Ruga. Cheia de pena. Eu sonhava ser artista de cinema. Ah! Meu filho. Por isso que eu acho. Gosto desta luz em cima do meu osso. Fraco. Mas desta vez. Cansei. Repito. No meio de todo mundo. Foi. Foi. Acocorei. E tudo aquilo que eu guardei. Saiu de mim. Aquele peso. Fedido. Ri. Ri. Ri que suei. Vão dizer que estou no fim. Ah! Meu filho. Mas só agora é que eu comecei.

O velhinho que apareceu ontem na cobertura do pleito estava de terno e gravata porque “era dia de festa”. Só sendo do tempo em que hombridade era lição de casa para ter tamanha consciência cívica. Só sendo de agora para estranhar sua elegância.

Deveríamos todos, claro, aprender com ele. Mas nada justifica a falta de criatividade dos repórteres em volta da urna. Como o voto é obrigatório e o humano, instigante, tenho certeza de que sobram figuras diferentes para focar. Não agüento mais o mesmo personagem. Não entendo a miopia dessas lentes.

Desculpem se fujo do assunto. Perdoem esse post sem dica nenhuma. É que eu acho a mesmice curiosa. Por que olhos diversos enxergam sempre pelo mesmo ângulo?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Chá de lingerie no motel

Quando eu tinha 20 e alguns anos, não entendia como certo empresário gaúcho, hoje radicado em São Paulo, promovia churrascos para os amigos em motéis. É claro que eu deduzia o propósito, mas achava de extremo mau gosto. Hoje, tive mais uma prova de que a criatividade altera conceitos e de que minha opinião (graças!) pode mudar. Deve ser engraçado participar de um chá de lingerie num lugar assim.

Desde setembro, o Sahara tem alugado seus quartos maiores para noivas que querem se despedir da solteirice ao lado das amigas. Antes que você pense besteira, já digo: não rola sacanagem. No máximo um pênis de borracha preso com ventosa na parede, dicas de sexólogas ou strip-teases masculinos - apesar de não haver qualquer convênio com estes serviços, a gerência fornece o telefone dos profissionais.



Por causa do grande número de convidadas, os eventos acontecem nas suítes Grã-Kalifa ou Grã-Vizir, que eu já tinha visitado na época do livro. Fico imaginando o tititi da mulherada ao chegar no ambiente pseudo-otomano que tem duas camas, pista de dança, piscina, ofurô, home-theater, churrasqueira e (pasmem) quatro andares, acessados somente por elevador.



Lissandra Dionisi, gerente da casa, me contou que todas as festas organizadas até hoje aconteceram em domingos à tarde: “é bem dia de chá”. Se a cliente quiser levar as bebidas, eles fornecem as taças. Caso não consuma nada, nem um chocolatezinho erótico, é preciso pagar uma taxa pelo uso da louça e do gelo.

A maioria das participantes são moças acostumadas com a característica hospedagem de quatro horas, mas também comparecem mulheres que nunca pisaram em local parecido – aposto que são as que se divertem mais. Que bom que só uma nubente desistiu da reserva por causa do velho tabu: “a mãe dela disse que não iria, se o chá fosse num motel”.

E você, também faria sua festinha por lá?

MOTEL SAHARA
Rua Rio Branco, 880, Ponta Porã (Cachoeirinha)
(51) 3471.4080

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Extra! Extra! Como comprar um caneco de chope proibido

Foi o Helio Wolfrid, dono do Museu da Cerveja, quem me contou hoje à tarde: em 1980, ele estava com Clóvis Duarte na Oktoberfest de München, Alemanha, quando o jornalista tentou sair da festa carregando o caneco que tinha usado para beber. Só que é proibido ficar com o souvenir. E logo apareceram os guardas de verde, vociferando em alemão. O Clóvis pediu desculpas, disse que não sabia da regra. Mas a alfândega alcoólico-germânica não amoleceu. Confiscou a lembrança e quase o prendeu.

A boa nova é que Helio esteve no mês passado em Munique, quatro dias antes da Oktoberfest 2008, e tratou de importar alguns exemplares da tal caneca Masse de 1 litro, medida oficial da beberrança. Feito em cristal da Baviera e pesando quatro quilos, o supercopo vem acompanhado de uma lata da cerveja Paulaner, criada especialmente para o evento. Para quem acha que é muito trago, o empresário calcula: "quando vão a um barzinho, as pessoas tomam três chopes fácil... e cada um tem 330 ml".


Para se ter uma idéia da procura, desde a última terça-feira, data inicial da venda, a loja virtual e física vem comercializando a média de 18 unidades do caneco por hora. É a sua chance de ter uma concorrida breweriana (neologismo inglês que define qualquer produto ou fato relacionado à loira gelada) e de falar o que os milhões de visitantes da mais famosa Okberfest do mundo gostariam de dizer: “eu consegui”.

MUSEU DA CERVEJA
R. General Neto, 15, Moinhos de Vento
(51) 3062.8400
beer@portoweb.com.br
www.museudacerveja.com.br